Álcool provoca 40% dos acidentes de trabalho

29/06/2009 às 6:34

Cerca de 40% dos acidentes de trabalho estão relacionados ao consumo de álcool. As estatísticas não se referem somente aos dependentes do álcool, mas também àqueles funcionários que bebem com uma freqüência menor e no dia seguinte tem seus reflexos e suas capacidades funcionais comprometidas. A mistura é ainda mais arriscada para algumas profissões, como aquelas dos setores da construção civil e de transportes, que lidam com máquinas pesadas ou que estão presentes no trânsito. “O álcool é responsável por mais de 64 doenças e no aspecto do trabalho não é diferente. Há profissões onde o consumo do álcool é ainda mais arriscado”, destacou o médico hepatologista Antônio de Barros.

Além disso, trabalhadores que bebem com maior freqüência, faltam com mais freqüência, adoecem mais, tem mais atitudes desrespeitosas e, portanto, gera prejuízos à empresa. “Há estudos que comprovam essa ligação. O trabalhador com este perfil apresenta alterações de reflexo, percepção, rendimento e capacidade para realizar tarefas”, completou. O médico diz que nos Estados Unidos pesquisas mostram que o problema é mais comum na área da construção civil. Para o Brasil, não há pesquisas que comprovem o mesmo. “No Brasil todas as áreas são atingidas, em todos os níveis, incluindo, por exemplo, profissionais de saúde e servidores públicos”, disse Antônio.
 

Ele cita outra pesquisa realizada na área de saúde, onde foi comprovado que é mais comum a ocorrência de problemas relacionados ao álcool junto aos médicos do que junto à população em geral. “É um dado muito preocupante, já que os médicos são profissionais que se propõe a tratar e também estão doentes. Isso comprova que o álcool não polpa nenhuma área ou atividade profissional, nem classe social”, ressaltou. Antônio de Barros trata ainda dos exemplos dos motoristas que dirigem sob efeito do álcool e dos resultados da lei seca, que completou um ano em vigor.
 

“Com a lei Seca o número de mortes reduziu mais de 12%, mesmo com a fragilidade da fiscalização. Poderia ser mais e precisamos desenvolver mecanismos de controle para esta situação”, diz. Um dos mecanismos propostos é o cumprimento das leis já existentes, como a que proíbe a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos. “Pesquisas mostram que os jovens começam a beber em casa, na presença dos pais e muitas vezes incentivados por eles, que muitas vezes nem se dão conta do que estão fazendo", afirma o médico.

 

 

Jovens estão mais suscetíveis à dependência
 

Antônio de Barros esclarece que o sistema nervoso central amadurece por volta dos 18 anos e os jovens que começam a beber antes disso apresentam um risco maior de dependência e de se envolverem em acidentes. Segundo ele, metade dos problemas relacionados ao álcool não existiriam se a lei fosse cumprida. .
 

Ao contrário dos que muitos pensam, o médico diz que o alcoolismo é só um dos inúmeros problemas causados pelo álcool e não é o mais preocupante. “Para a sociedade o maior problema são os fenômenos de acidentes e violência. A maioria dos que se envolve em acidentes não é o alcoólatra e sim a pessoa que bebeu naquele dia. A maior parte dos problemas acontece entre pessoas de 15 a 35 anos, que não são alcoólatras”, disse.
 

O hepatologista acredita que a lei só se cumpre com fiscalização aliada a um trabalho educativo junto à família e às escolas. “Fico triste em ver festas promovidas pelas empresas onde há bebidas alcoólicas. Como é possível desenvolver uma política dentro da empresa se ela é a primeira a incentivar o consumo?”, questiona. As estatísticas mostram ainda que 20% dos funcionários da maioria das empresas são dependentes de álcool.
 

Aliado a este número, Teresina ainda está entre as três capitais onde o consumo de álcool é maior, juntamente com Fortaleza e Salvador.

Mais Notícias

Comentário