Nacional

Mãe de lutador morto perdoa mãe de menor detido

Mãe de lutador morto perdoa mãe de menor detido

11/03/2010 às 2:22

Foto: Cafrolina Lauriano / G1
Depois de ouvir o pedido de perdão da faxineira Aurinete Messias da Silva, mãe do menor de 17 anos que confessou ter participado do crime que terminou com a morte de Marcos Jara, Jane de Albuquerque, mãe do lutador assassinado, disse que a perdoava, mas não o adolescente detido.

“Não posso perdoar ele, mas perdoo à senhora, porque não posso lhe culpar por isso”, disse Jane, que ainda foi ao carro onde estava o menor detido para questionar sobre o crime. O adolescente agiu com rebeldia.

De acordo com o delegado da 36ª DP (Santa Cruz), José Moraes, responsável pelas investigações, o menor foi detido nesta quarta (10), próximo à Favela do Aço, na Zona Oeste do Rio, e disse em depoimento que foi seu comparsa, de 15 anos, quem atirou no lutador. Ele foi encaminhado para o Ministério Público e vai responder por ato infracional análogo ao crime de latrocínio (roubo seguido de morte). O delegado afirmou que as buscas por esse outro adolescente continuam. Ambos têm passagem pela polícia.

O lutador, que morava nos Estados Unidos, seguia com um amigo americano para passar as festas de fim de ano em Angra dos Reis, na tarde do dia 24 de dezembro, quando parou no acostamento da estrada na Zona Oeste para pegar um objeto na mala do carro e foi abordado por dois criminosos.

“Ele saiu tão feliz de casa naquela dia”, desabafou Jane, muito emocionada, na Chefia da Polícia Civil, no Centro, nesta quinta.

A mãe do menor detido afirmou que não sabia do envolvimento do filho com o tráfico de drogas e que esse episódio está acabando com sua vida. “É muita dor, não sabia de nada, a gente sempre é a última a saber das coisas”, disse ela, emocionada.

“Hoje morro em paz, mas ainda quero realizar todos projetos do meu filho, ajudar crianças carentes”, disse a mãe de lutador assassinado, após prisão de menor Ela firmou que está em depressão e só tem vontade de dormir. “Ele deixou muito amor e muitos amigos por onde passou”.

Investigação

O delegado contou que os dois adolescentes deviam R$ 3 mil à boca de fumo da Favela do Aço e esse foi o motivo do assalto. A pistola apreendida pela polícia teria sido fornecida pelo chefe do tráfico, conhecido como Quinho e que, segundo José Moraes, também é procurado pela polícia.

Segundo a polícia, Marcos Jara não foi morto ao reagir ao assalto. Ele e o americano foram baleados quando Jara tentou tirar a arma de um dos menores. O americano ferido foi jogado para fora do carro e socorrido por moradores de uma favela. Já o lutador, seguiu com os criminosos, que renderam um mecânico para dirigir o carro, pois Jará estava incapacitado de conduzir o veículo.

O delegado contou que no trajeto, o lutador pedia pela vida. Quando conseguiram descobrir onde estava o dinheiro, cerca de R$ 5 mil, os adolescentes deram um valor para o mecânico retornar e rederam um outro carro, na Favela do Sapo, em Senador Câmara. Foi neste momento, de acordo com o delgado, que o menor de 15 anos pediu a arma e deu um tiro na cabeça do lutador. “Foi um tiro de misericórdia”, disse o delegado.

Ainda de acordo a polícia, eles seguiram para Campo Grande. O motorista do veículo rendido teria deixado os menores na rodoviária.

O carro em que Jara e o amigo viajavam pertencia ao ator Luciano Szafir, amigo do lutador.

Fonte: G1

Dois desaparecem em naufrágio de barco no Amazonas

Dois desaparecem em naufrágio de barco no Amazonas

10/03/2010 às 2:39

Pelo menos duas pessoas estão desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação no Rio Solimões, na madrugada desta quarta-feira (10), de acordo com informações preliminares do Corpo de Bombeiros do Amazonas.

A embarcação com 92 pessoas a bordo teria batido no tronco de uma árvore próximo à cidade de Anori, segundo os bombeiros. O barco teve a estrutura perfurada e afundou parcialmente.

De acordo com os bombeiros, outro barco que passava pelo local conseguiu resgatar 90 pessoas.

Resgate

Um navio da Marinha foi enviado ao local que fica a cerca de seis horas de viagem. A previsão é que a equipe de resgate chegue ao local na tarde desta quarta-feira.

Quatro mergulhadores do Corpo de Bombeiros viajam no barco da Marinha e vão participar das buscas por vítimas.

Fonte: G1

Barco de passageiros afunda no Rio Solimões

10/03/2010 às 10:33

Um barco de passageiros afundou, na madrugada desta quarta-feira (10), no Rio Solimões. O naufrágio aconteceu próximo à cidade de Anori (AM), a 190 quilômetros de Manaus.

Ainda não há informações sobre vítimas.

Um navio da Marinha foi enviado ao local que fica a, pelo menos, seis horas de viagem com uma lancha rápida.

Fonte: G1

INACREDITÁVEL. Carro movido a batata, chocolate e cenoura

INACREDITÁVEL. Carro movido a batata, chocolate e cenoura

09/03/2010 às 2:21

Foto: Adam Hunger / Reuters
Cientistas da Universidade de Warwick, na Grã-Bretanha, adaptaram um carro de Fórmula 3 para que funcionasse com um combustível inovador: restos de chocolate, cenoura, amido de batata e fibra de linho. O modelo, apresentado no MIT Energy Conference em Boston, Massachusetts (EUA), chega a 217 quilômetros por hora e faz 0 a quase 100 km/h em 2,5 segundos.

Fonte: G1

Policial morto por bandido. 'Eles estão vencendo a guerra'

Policial morto por bandido. ‘Eles estão vencendo a guerra’

09/03/2010 às 1:45

“Nós estamos em guerra onde os bandidos é quem estão vencendo. Portanto, se queremos paz temos que nos preparar para a guerra”, afirma o delegado do 16º Departamento de Polícia da Vila Embratel, Emanuel Bastos em completa insatisfação e tristeza pela morte do então companheiro o agente de polícia civil Sebastião de Sousa Sabino, 50, morto a tiros na tarde desta segunda-feira às 17h na Rua do Doce próximo ao Residencial Resende, em São Luís, Maranhão.

O crime aconteceu durante uma operação com mandado de prisão temporária para Wiliam Domingos Paiva Aroucha, 22 anos, conhecido também como “Rato”, acusado por tráfico de drogas e porte ilegal de arma.

Rato, de acordo com o serviço de inteligência da Polícia Militar, já era conhecido por aterrorizar a comunidade e fazer grandes assaltos. Na casa dele foram encontrados três televisores e um aparelho de DVD, que para a polícia poderia ser “moeda de troca” usada na compra de drogas e armas e três cachorros da raça Pit Bull.

Inicialmente havia sido divulgado que os agentes de polícia teriam ido ao local para apurar uma denúncia anônima de tráfico. No entanto, foi confirmado depois pelo Comando de Operações Especiais (COE), presente também no local após o incidente, que os agentes foram até a residência de Wiliam com o mandado de prisão por tráfico de drogas e porte ilegal de arma.

Após chegar ao local os policias já foram recebidos a tiros deferidos por Rato, que, por conseguinte fora baleado várias vezes na costela direita enquanto que Sebastião levou um tiro letal na axila esquerda, atravessando o corpo. Após o incidente, policias entraram na casa e conseguiram capturar outras três pessoas, a mãe e irmã de Rato, além da sua parceira.

Após o acontecido Wiliam foi encaminhado para o hospital Socorrão I junto com a sua mulher identificada apenas como Vanda Cristina enquanto que sua mãe, Raimunda dos Santos, 41, e a irmã, uma menor de 17 anos, ficaram na casa e em seguida foram conduzidas para o 16º DP.

Fonte: O imparcial

‘Vereador corno’. Aí o pau comeu. ‘Isso mexe com a moral’

09/03/2010 às 10:36

O vereador Joel Raimundo de Souza (PDT), Presidente da Câmara Municipal de Águas de Lindóia, a 170 km de São Paulo, disse na noite desta segunda-feira (8) que pretende processar e pedir a cassação do mandato do colega Edson Âmbar (PSC), que o chamou de chifrudo em plena sessão durante a tarde. A confusão ocorreu porque Souza impediu a posse de outro vereador, que havia conseguido na Justiça o direito de ocupar o cargo.

Em entrevista por telefone ao G1, o presidente da Casa admitiu ter se sentido “constrangido” com o xingamento, que também partiu de eleitores presentes à sessão das 16h. A cena foi filmada pela imprensa. “Isso mexe com o moral, com a nossa dignidade. Eu me senti ofendido”, informou Souza.

De acordo com ele, além de provar o que falou, Âmbar terá ainda que “responder por injúria, difamação e ameaça de morte”, como afirmou o vereador pedetista. “Também vou processá-lo por danos morais e pedir a cassação. Houve falta de decoro. Ele tem a imunidade (parlamentar), mas não para fazer ofensas”.

Âmbar, que admitiu ter chamado o colega de Câmara de chifrudo em público, discorda. “Eu tenho imunidade parlamentar e na tribuna posso falar o que quiser. Ele xingou meus pais. Então eu falei: ‘vossa excelência é um chifrudo’. Todo mundo falou isso”, contou o vereador. Durante a briga, que envolveu outras pessoas, o presidente da Casa disse ter levado “duas cadeiradas” e estar com escoriações. Âmbar afirmou que teve uma luxação no braço direito.

Posse confusa

O tumulto começou porque nesta segunda, único dia em que a Casa tem sessão plenária para discutir os projetos, o vereador Ismael Rieli (PMDB) tomaria posse. Ele disse ter conseguido na Justiça o direito de receber o diploma e o cargo, uma vez que foi eleito em 2008, mas nunca assumiu. O presidente da Casa foi contra e encerrou os trabalhos do dia. Nesse momento, houve revolta por parte dos aliados de Rieli.

A Câmara de Águas de Lindóia, cujo eleitorado é de cerca de 12 mil pessoas, tem apenas nove vereadores. Isso porque, após o pleito de dois anos atrás, o Ministério Público entrou com uma ação civil pública pedindo que dos 11 eleitos somente nove tomassem posse. A Justiça acatou o pedido.

Rieli afirmou que recorreu junto ao Tribunal de Justiça na capital paulista, obtendo uma decisão favorável por parte dos desembargadores no início deste mês. “O promotor disse que estava preocupado com o erário público, mas não se mudam as regras do jogo depois que ele acabou”, afirmou Rieli sobre o resultado da eleição. Segundo Edson Âmbar, oito vereadores ganham por mês cerca de R$ 1.600 e Souza recebe R$ 2.400 por ser o presidente.

O presidente da Câmara alegou que impediu a posse do vereador eleito porque não foi informado sobre a sentença dos desembargadores. “A Justiça tem que me notificar de que ele vai ser empossado”, contou Souza. Ele não quis comentar a posição do MP. Apenas disse: “Com nove (vereadores), a Câmara tem sido bem representada”.

Fonte: G1

Terremoto no Chile deslocou cidade de Concepción 3 metros

Terremoto no Chile deslocou cidade de Concepción 3 metros

09/03/2010 às 10:27

Foto: AFP
O terremoto de magnitude 8,8 que abalou o Chile em 27 de de fevereiro deslocou a cidade de Concepción por mais de três metros, em direção a oeste, revelaram cientistas na segunda-feira (8).

Medições preliminares obtidas de estações de posicionamento global revelam que Concepción, a segunda cidade do Chile, se moveu 3,04 metros para o oeste com o tremor.

Santiago, a capital chilena, se moveu 27,7 centímetros para oeste, segundo as medições realizadas por especialistas chilenos e americanos e divulgadas pela Universidade Estadual de Ohio.

O terremoto no Chile moveu até a cidade de Buenos Aires, por 4 centímetros para oeste, e foi sentido nas Ilhas Malvinas, no Atlântico.

Fonte: G1

Adolescente mata criança a pauladas. Os dois estavam nus

Adolescente mata criança a pauladas. Os dois estavam nus

08/03/2010 às 1:58

PAULO DE TARSO JÚNIOR

A polícia investiga a morte de um garoto de 7 anos no povoado São Bento, na cidade de Peritoró, Maranhão. De acordo com informações da PM, a criança foi morta a pauladas por um adolescente de 17 anos enquanto tomavam banho juntos. O crime aconteceu no último domingo (7).

Uma das linhas de investigação da polícia é de que o adolescente teria tentado violentar a criança. No entanto, a tentativa não teria sido concretizada.

Em decorrência disso, o jovem teria pego um pedaço de madeira e aplicado vários golpes contra o garoto de 7 anos. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu.

A polícia apreendeu o adolescente e já o encaminhou ao Ministério Público.

Filho de Sarney movimenta R$ 1 milhão em paraíso fiscal

Filho de Sarney movimenta R$ 1 milhão em paraíso fiscal

08/03/2010 às 6:24

Foto: Celso Júnior/AE
O governo chinês confirmou a movimentação de R$ 1 milhão em contas no exterior de Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP), informa reportagem publicada na edição deste domingo (6) na “Folha de São Paulo”.

Segundo o jornal, autoridades chinesas informaram que o valor teria sido enviado a uma conta do HSBC em Qingdao, na China, por meio de um paraíso fiscal. Ainda de acordo com a “Folha”, o valor não teria sido declarado à Receita Federal, o que poderia indicar que o dinheiro provém de atividades supostamente ilícitas da família Sarney.

O advogado de Fernando Sarney, Eduardo Ferrão, afirmou que o processo contra seu cliente corre em segredo de justiça e que, portanto, não poderia se manifestar de forma específica sobre o caso. No entanto, ele negou as acusações. “A denúncia não tem a menor procedência, mas quando a privacidade das pessoas começa a ser exposta dessa forma, prefiro não me manifestar. Afirmo categoricamente que não procede a acusação”, afirmou.

O documento que autoriza a transação, reproduzido pela “Folha”, leva a assinatura de Fernando Sarney e, segundo o jornal, teve sua veracidade atestada pelo governo chinês.

De acordo com a reportagem, confirmou-se que o dinheiro saiu de uma conta que Fernando operaria em um paraíso fiscal por meio de uma empresa “offshore” com sede no Caribe. Depois disso, o valor teria passado pelo banco HSBC em Nova York e sido depositado na conta de uma empresa chinesa, mas os investigadores do governo não saberiam qual a finalidade da movimentação financeira.

Fernando Sarney, filho mais velho de José Sarney, comanda os negócios da família e é investigado pela PF por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e remessa ilegal de divisas para o exterior.

Fonte: G1

Arruda sabia das operações policiais antes delas acontecerem

Arruda sabia das operações policiais antes delas acontecerem

06/03/2010 às 8:32

Depoimentos colhidos pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) obtidos pelo G1 revelam que o governador afastado, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), mantinha uma rede de informações que funcionaria a partir dos serviços prestados por integrantes da cúpula da Polícia Civil no DF.

A suspeita teve início com a apreensão de documento pela Polícia Federal na casa de Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda. O documento trazia anotações sobre a Operação Tellus, que investigava a cobrança de propina na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, na época comandada pelo então vice-governador, Paulo Octácvio.

Os depoimentos fazem parte do conjunto de novas informações revelado na quinta-feira (4) pela vice-procuradora da República, Deborah Duprat, durante o julgamento do habeas corpus que pedia a libertação de Arruda no Supremo Tribunal Federal (STF). “Temos provas recentes que mostram que várias provas só foram obtidas agora depois da prisão do governador. Policiais civis tiveram coragem, agora, porque o governador está preso, de denunciar que em outras duas operações o governador tinha interferido para impedir que houvesse a investigação a respeito de Marcelo Toledo e de um outro doleiro”, revelou a vice-procuradora.

Os policiais civis citados por Debora são o ex-diretor do Departamento de Atividades Especiais (Depate) Celso Moreira Ferro Júnior, o sucessor dele no Depate, delegado Cícero Jairo, e o ex-diretor do Departamento da Polícia Judiciária da Capital (Decap) Marco Aurélio Vergílio de Souza.

‘Mal informado’

No dia 25 de fevereiro, Ferro Júnior revelou a três promotores do MPDFT que Arruda havia o contratado para espionar adversários políticos e conseguir informações sobre possíveis ações policiais que pudessem comprometer o governo. “Arruda era informado com alguns dias de antecedência da realização desta ou aquela operação”, disse Ferro Júnior.

O ex-diretor do Depate relatou ao MPDFT que já estava aposentado quando “começou a assessorar” o governador Arruda em questões de inteligência. Diante do volume de fatos que estavam acontecendo e que o governador não estava sabendo, Ferro Júnior disse que o governador Arruda chamou para uma reunião o então secretário de Segurança Pública Valmir Lemos, o chefe da Inteligência dessa secretaria, Gilberto Maranhão, o diretor-geral da Polícia Civil, Cléber Monteiro, e o diretor do Departamento de Atividades Especiais (Depate), Cícero Jairo. “Ocasião em que se queixou que estava mal informado e que precisava de informações que ajudassem a proteger o seu governo”, relatou o ex-policial.

Nesse mesmo encontro, segundo o depoimento de Ferro, Arruda teria questionado se o policial civil aposentado Marcelo Toledo, também investigado no inquérito do mensalão do DEM de Brasília, era alvo da Operação Tucunaré, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal. O delegado Cícero teria negado que Toledo fosse investigado pela Polícia Civil. Ele foi “nesta ocasião informado que o policial civil tivera alguns áudios interceptados”.

Diante da falta de informação de Cícero, Ferro Júnior afirma que Arruda teria demitido o delegado por estar descontente com o serviço de informações: “Cícero foi exonerado do cargo que ocupava de diretor do Depate em razão do governador ter se sentido mal informado em relação às investigações em curso”.

Licitações

O policial afirmou existir “um relatório grande” sobre investigação que “apurava direcionamento de licitações em publicidade para empresas vinculadas ao ex-secretário de Comunicação do DF Welligton Moraes”, preso pela mesma ordem expedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) que ordenou a detenção de Arruda.

Ainda de acordo com Ferro Júnior, “Arruda foi informado da situação” e tratou de agir: “Umas duas semanas depois, o governador Arruda desconstituiu a comissão de licitação que estaria envolvida nas supostas irregularidades”.

Espionar adversários

Em seu depoimento, Ferro Júnior relata que, em abril de 2009, Arruda telefonou para ele e “solicitou sua presença na residência de Águas Claras”. “O governador informou a pretensão de candidatar-se à reeleição e queria sua ajuda no que tange aos serviços de consultoria em inteligência”.

O delegado informou aos promotores que a assessoria prestada a Arruda consistia em alertar o governador para fatos que pudessem comprometer sua imagem em vista da reeleição e “informá-lo sobre os passos de seus prováveis opositores políticos à reeleição de 2010”.

Ferro Júnior também relata ter sido procurado em maio de 2009 por Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda, que também queria saber “o que estaria acontecendo que poderia comprometer o governador”.

Operação Terabyte

A mesma interferência relatada por Ferro Júnior em 25 de fevereiro foi descrita no dia 1º de março por Marco Aurélio Vergílio de Souza. Ele confirmou que o documento apreendido no gabinete de Lamoglia durante a Operação Caixa de Pandora continha informações de operações sigilosas da Polícia Civil.

Vergílio de Souza contou ainda que seu superior na época em que era diretor do Decap, Cícero Jairo, participou de uma reunião com Arruda na qual foram solicitadas informações de “fatos” investigados pela polícia.

Vergílio de Souza afirmou que Arruda reclamou com Jairo por não ter sido comunicado da Operação Terabyte, que apurou irregularidades em contratos de empresas de informática com o governo do DF. Arruda também questionou se a Polícia Civil realizou mandados de busca e apreensão na residência de um parente dele. Vergílio também diz que o governador perguntou se Toledo estaria sendo investigado.

Segundo Vergílio, Jairo respondeu aos questionamentos dizendo não ter informações. Vergílio também afirmou, em depoimento, que foi afastado da diretoria do Decap por determinação de Arruda porque não prestou informações sobre a Operação Terabyte. Ele disse ainda que Cícero Jairo foi afastado do Depate porque o governador não queria que ele permanecesse como diretor.

Cobrança

O encontro relatado por Ferro Júnior e Vergílio Souza teria ocorrido na residência oficial de Águas Claras cerca de duas semanas antes de Arruda ter exonerado do cargo o ex-chefe do Departamento de Atividades Especiais da Polícia Civil do Distrito Federal, contou ao MPDFT o próprio Cícero Jairo.

Cícero Jairo relata no depoimento prestado no dia 1º de março que teria ligado para o diretor da Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco), comunicando a cobrança de Arruda e perguntado se Toledo aparecia na investigação da operação Tucunaré, que apurava as relações de doleiros suspeitos de lavagem de dinheiro.

O diretor disse que iria checar. Mais tarde, Jairo disse que tomou conhecimento de que Toledo aparecia em áudios em conversas com um investigado na operação, identificado no depoimento apenas como Fayed.

Reclamações de empresários

No depoimento, Cícero Jairo diz ainda que na reunião na residência oficial, o governador teria dito que recebeu reclamações de empresários alvos de investigação da polícia. Arruda também teria se mostrado insatisfeito com o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa de um parente, não identificado no depoimento, no setor de mansões Park Way. Na operação, um computador teria sido apreendido.

Outro lado

O G1 tentou encontrar o ex-policial Marcelo Toledo, mas não consegiu contato. A reportagem deixou recado com uma pessoa que se identificou como motorista do advogado dele, mas não obteve retorno até as 22h.

O advogado do governador José Roberto Arruda, Nélio Machado, também não foi localizado. O G1 deixou recado na secretária eletrônica do advogado, mas também não obteve retorno. Em outra oportunidade, Machado disse que existe uma “perseguição ao governador” e que ele está sendo “crucificado”.

O G1 também tentou entrar em contato com o ex-governador Paulo Octávio, mas não obteve sucesso. Um recado foi deixado no celular do ex-governador, porém não houve retorno até o horário de publicação da reportagem.

No dia 22 de fevereiro, quando a PF apreendeu o documento na casa de Lamoglia, a cúpula da Polícia Civil informou que não se manifestaria sobre o caso, porque os inquéritos correm em segredo de Justiça. A assessoria da polícia negou ter qualquer conhecimento sobre vazamentos nas investigações.

Fonte: G1

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